De acordo com os professores, esse livro vai acompanhar a nossa jornada na arquitetura, e eu consigo entender o motivo. Lições de Arquitetura é um livro rico, cheio de referências visuais criativas do que fazer e do que não fazer, o que a torna uma ótima primeira leitura para o início do curso.
A- Domínio Público
Essa primeira seção tenta entender as diferenças dos espaços privados e públicos e estudar maneiras viáveis para deixar os dois mais integrados.
1- Público e Privado
Essa seção inicia com o esclarecimento de termos que vamos ver muito nesse livro e na nossa vida como arquitetos: espaços públicos e espaços privados. Hertzberger defende que não há nada 100% público e nada 100% privado, priorizando mais a relação entre indivíduo e coletivo,
2- Demarcações Territoriais
Em seguida, ele fala de como esses limites são feitos nas construções, e ele dá exemplos de o que pode ser feito para deixar a transição do público para o privado mais gradual, incentivando a gradação do acesso, criando ambientes públicos dentro de ambientes privados.
3- Diferenciações Territoriais
A arquitetura muitas vezes demarca o que seria o espaço privado e o que seria o espaço público de maneira brusca, o que não é o ideal. Mesmo assim, é dever do arquiteto guiar o fim dos espaços públicos e o início dos privados de uma maneira natural além de guiar o fluxo de movimento das pessoas, recorrendo a alterações de forma ao invés de limites visíveis quando possível. Depois das demarcações territoriais serem feitas, é importante que os ambientes demarcados sejam pensados de maneiras diferentes para que eles se destaquem entre si, dando a sensação adequada de público ou privado.
4- Zoneamento Territorial
E assim, depois das diferenciações serem feitas, é importante que o arquiteto pense em como o ambiente irá reagir à interação de quem o vive, gerando um senso de responsabilidade e pertencimento para com o espaço.
5- De Usuário a morador
Hertzberger fala sobre algumas formas de fazer com que o morador se sinta mais pertencente ao lugar onde mora, e ele trás a ideia de deixar que os usuários cuidem do próprio ambiente, e isso cria uma relação de carinho e cuidado importante, deixando o ambiente personalizado e adaptado.
6- O intervalo
Esse capítulo é muito importante pois ele define o que seria um intervalo e como ele deve ser implementado nos lugares. Ele é um espaço entre o público e o privado, que serve para gerar uma transição mais gradual dos espaços, deixando o espaço privado mais público e vice-versa.
7- Demarcações privadas no espaço público
Esse capítulo fala como o espaço privado pode afetar o espaço público, alterando a relação pessoa-espaço. Ele aforma que o espaço público, mesmo sendo acessível, não é livre e nem neutro, sendo sempre moldado pelas intenções dos projetos ao redor, e é por isso que ele sofre influência das instalações privadas próximas dele. Então, os espaços privados acabam servindo de guia para o espaço público e como ele deve ser usado. Por exemplo: a rua de um hospital necessita ser mais silenciosa e menos movimentada para não atrapalhar os pacientes. Assim, esse "limite", pode ser uma proteção importante, mas também pode significar uma restrição negativa para o senso de comunidade.
8- Conceito de obra pública
Muitas obras públicas se tornaram obsoletas por não pensarem no público que usaria elas, e isso é um ponto que o Hertzberger analiza nesse capítulo. Ele afirma que, para os espaços serem usados, o arquiteto deve pensar em tornar o espaço personalizado para quem for interagir com ele, priorizando o usuário através do engajamento e da responsabilidade.
9- A Rua
A Rua antes era um espaço de convivência, mas, com a chegada dos carros, ela está cada vez mais se transformando em um espaço de transição, um espaço temporário, e isso é visto como negativo pois incentiva o individualismo e diminui o senso de coletividade.
10- O domínio público
Além disso, a existência da rua como um espaço de convívio é essencial para enxergar a pluralidade de quem a usa.
11- O espaço público como ambiente construído
Esse capítulo fala sobre o início da criação de espaços públicos fechados e como eles são muitos voltados para o comércio. Isso porque o comércio, de certa forma, força interações sociais e é uma atividade muito importante para o desenvolvimento das cidades, unindo o útil ao agradável.
12- O acesso público ao espaço privado
Esse capítulo disserta um pouco sobre a acessibilidade dos espaços privados e como ela deve ser garantida através do uso de intervalos, atraindo o público para interagir com esses lugares. Um exemplo de intervalo citado aqui são as galerias, ruas que passam no meio de blocos, cobertas de vidro, que têm lojas nos dois lados. Elas trazem um ar de continuidade da rua e guiam os pedestres para as lojas de maneira natural.
exemplo de galeria
B- Criando Espaço, Deixando Espaço
Essa seção fala da importância da estruturas, quando elas devem ser respeitadas e quando elas devem ser quebradas para garantir uma autonomia dos ocupadores dos locais arquitetados.
1- Estrutura e Interpretação
O coletivo é feito de interpretações individuais, e ignorar um em detrimento do outro resulta em projetos falhos. A partir disso, são feitas algumas metáforas para um melhor entendimento.
A língua possui uma lista extensa de regras definidas, e a fala vê essas regras e faz o que quiser com ela para garantir a sua expressão necessária. Dessa forma, a língua não limita a fala, mas sim dá um ponto de partida para ela garantir sua expressão. De maneira parecida, a forma garante a qualidade do uso, dando vida a projetos únicos a partir das regras anteriores.
2- Forma e Interpretação
Esse capítulo defende que a mesma forma pode sofrer interpretações diferentes de pessoas diferentes, e isso deve ser levado em conta quando se projeta.
3- A estrutura como espinha dorsal generativa: Urdidura e trama
De maneira subversiva, Hertzberger afirma que as regras e estruturas garantem uma liberdade maior para quem projeta, como as regras de xadrez que permitem que existam tantas jogadas diferentes para se fazer em um único jogo. As regras não devem ser vistas como inimigas, mas sim como aliadas.
4- Grelha
Esse capítulo discute um pouco sobre a forma de organização dos lotes em pedaços retangulares idênticos entre si e como ela pode criar liberdade se usada de maneira correta. O problema não são as estruturas e nem as regras, mas sim quando e como elas são usadas.
exemplo de grelha
5- Ordenamento da construção
Esse capítulo fala sobre conjuntos de unidades e como eles devem seguir um viés arquitetônico adequado para poder simbolizar união e tornar o ambiente coeso. Essa atitude também ajuda na integração do espaço público no projeto. Assim, se torna essencial que o projeto seja adaptável ao tempo e tenha harmonia entre as unidades.
6- Funcionalidade, flexibilidade e polivalência
Três conceitos importantes são explicados nesse capítulo, são eles:
Funcionalidade: O propósito de um local, para o que ele será usado. (muita funcionalidade cria um espaço rígido)
Flexibilidade: A capacidade do local ser usado para outros fins. (muita flexibilidade deixa o espaço vazio)
Polivalência: A capacidade de um espaço ser adaptado para outros fins por quem o usa.
Os espaços devem entender a capacidade de mudança e integrar ela no projeto para que ele seja bem-sucedido.
7- Forma e usuários: o espaço da forma
O usuário deve ter papel em dar a forma ao espaço, para garantir que seja feito ao seu desejo e para que o espaço tenha todas suas potencialidades utilizadas.
8- Criando espaço, deixando espaço
O arquiteto deve saber quando deixar que os espaços sejam "construídos" pelas próprias pessoas que vão usar os espaços, para gerar um sentimento de pertencimento e carinho para com o local.
9- Incentivos
O arquiteto deve incentivar a interação do usuário no ambiente através do uso de elementos arquitetônicos de design, sabendo onde deixar livre para a alteração e quando definir aspectos específicos do projeto de maneira estratégica.
10- Forma como instrumento
O arquiteto deve apenas sugerir um uso do espaço, e, a partir disso, o usuário deve decidir o que seguir. Se isso for bem-sucedido, será criada uma afeição pelo espaço.
C- Forma Convidativa
1- O espaço habitável entre as coisas
Antes de definir um projeto, se deve pensar em maneiras alternativas de viver aquele espaço que poderiam ser benéficas para o público, e para essa "previsão" ser mais próxima da realidade, é necessário que se tenha empatia com as pessoas que usarão o espaço.
2- Lugar e articulação
Esse capítulo fala do processo de transformação do lugar quando ele ganha um propósito. A primeira coisa a se pensar antes de projetar é para que e ele será usado, e, a partir disso, soluções arquitetônicas são apresentadas de acordo com as demais variáveis. Além disso, esse capítulo fala sobre maneiras de articular os lugares, deixando ele múltiplo, através de soluções como o uso de desníveis e paredes de vidro.
3,4,5- Visão 1,2,3
Essa sequência foca na visão e como ela pode ser usada para dividir ambientes sem ser de uma maneira tão brusca.
A visão pode ser usada para separar ambientes, criando mais privacidade mas de uma maneira mais sutil (como um intervalo). E essa falta de visão também pode ser gradual, como uma parede de vidro, uma parede vazada, ou um desnível.
A visão também pode ser usada para integrar o público no privado, permitindo que o exterior veja o interior e criando um ambiente de intervalo. De maneira recíproca, ela também pode servir para deixar o espaço privado mais público.
6- Equivalência
Por fim, Hertzberger introduz uma parte essencial quando se vai pensar em projetar espaços: a equivalência. Ela introduz a ideia do arquiteto negar a hierarquia dos espaços, dando uma importante igual para cada um deles, pois assim ele passa para os moradores a responsabilidade de fazer o que quiser com esses ambientes.