Em seguida, ele começa a relação desse não-objeto com a arte. É de senso comum que com o advento da fotografia as pinturas tiveram que se reimaginar, e assim nasceu o impressionismo, e foi daí que se começou o movimento de afastamento do objeto.
Quando se diz sobre o início do afastamento do objeto quer se dizer que sua representação começa a ficar mais "embaçada", os traços ficam maiores e a pincelada fica mais clara. Aqui, a arte começa a ser sobre a tinta, o processo, e não sobre a necessidade de se parecer com o próprio objeto, mesmo que essa necessidade ainda exista. Aqui nasce a vontade de se diferenciar, de priorizar as sensações sobre a cena do que a própria realidade.
Depois desse pontapé, a arte começou a entender mais o quadro como parte da obra em si em detrimento do próprio objeto. O objeto perde o significado.
O cubismo tenta representar o real mas se aproveitando mais dos limites do quadro e também de suas liberdades. Porém, nessa parte ainda há o "namoro" com o objeto verdadeiro e com o uso de elementos reais para o representar.
Mondrian, o pintor das obras seguintes, foi um dos primeiros que viu o potencial mais desafiador do cubismo e decidiu expandi-lo, criando obras que se aproximam mais ainda dos não-objetos, focando mais na arte na arte do que na representação de coisas no mundo real. O que fez com que esse objetivo de se criar um não-objeto falhar foi a existência do fundo, da moldura e do próprio quadro.
Depois desse movimento, se observa mais que, anteriormente, o quadro era visto como uma janela para um ambiente fictício, que levava para pensar em outras situações, ignorando a realidade que aquilo é uma farsa, sendo protegido com uma moldura para o inserir no espaço de maneira harmônica.
Esse sentido falso e essa necessidade de pertencimento se tornaram questões que foram desafiadas posteriormente na aproximação desses não-objetos nas próximas obras. O moldura se torna obsoleta, porque a visão da obra não é mais metafórica. Os não-objetos, de certa forma, se tornam mais literais ainda.
Esse é o merzbau de Kurt Schwitters, ele começa a se confundir com os objetos porque foge do quadro e começa a se inserir no campo real.
merzbau de Kurt Schwitters
Essa arte de duchamp se aproxima mais dos ideais de um não-objeto por tentar tirar de um objeto real apenas o que ele é em si mesmo, tentando fugir de seus usos cotidianos. Aqui, o urinal é apenas forma. Mesmo assim, ele ainda é um urinal, e quem o "ler" irá o interpretar, primeiramente, assim antes de qualquer outra interpretação.
telas cortadas de fontana
é tida como ingênua por introduz o corte real para contrapor a arte, recorrendo à signos. Isso que o faz ser objeto.
é tida como ingênua por introduz o corte real para contrapor a arte, recorrendo à signos. Isso que o faz ser objeto.
Tatlin e se aproxima mais dos não objetos por tratar das formas sem molduras e sem base. São formas criadas, não representadas.
Vantongerloo de stijil é uma escultura à base do cubismo, com cores repetidas das obras de Mondrian, que também buscam a criação de um não-objeto.
Essa obra de Moholy Nagy é vista como uma tentativa de tirar o peso das esculturas, característica importante dos objetos, para tentar se aproximar de outro tipo de não-objetoo.
O texto também fala que os quadros de Lygia Clark e esculturas de Amilcar de Castro partilham de semelhanças quando analizadas a criação de um objeto especial e suas relações com a interpretação e absorção deles.
O texto também traz o tema que fazer arte também significa, muitas vezes, fugir da artes. Se foge da moldura, pois ela começa a ser vista como um elemento estranho que foi naturalizado com o tempo. Ao fugir do naturalizado, se descobre os limites desses tipos de obras e a criação de novas liberdades. O não-objeto é a tentativa mais pura de tornar a arte real.
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Eu gostei muito desse texto! Os limites da arte é definitivamente um dos meus temas favoritos de discussão e esse texto trás isso de uma forma muito didática, ainda mais com o diálogo do final. Porém, tudo o que eu estou escrevendo aqui tem validade de 1 dia porque talvez eu tenha entendido errado algumas coisas. Mesmo assim, foi uma ótima leitura!
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